Em competição no Festival de Locarno: “Verão Danado” longa-metragem de Pedro Cabeleira

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Verão Danado, primeira longa-metragem de Pedro Cabeleira, em competição no Festival de Locarno

Verão Danado, primeira longa-metragem de Pedro Cabeleira (1992), foi seleccionada para o Festival de Locarno (de 2 a 12 de Agosto), onde será exibida na secção competitiva Cineasti del Presente, dedicada a primeiras e segundas obras de jovens cineastas.

Verão Danado é a única longa-metragem portuguesa em competição na 70ª edição do Festival de Locarno.

Com realização e argumento de Pedro Cabeleira, direcção de fotografia da também realizadora Leonor Teles (Urso de Ouro para Melhor Curta-Metragem, no Festival de Berlim 2016, entre outros prémios), produção de Pedro Cabeleira, Marta Ribeiro (dois dos cinco fundadores da VIDEOLOTION, produtora que nasceu ao mesmo tempo que o filme) e Abel Ribeiro Chaves (OPTEC), o filme – um híbrido entre o documental, o stoner e o psicadélico – apresenta-nos Chico e as suas tardes de ócio infinito, drogas, desamoresimersos nas vibrações da música. Um ímpeto de adrenalina e Lisboa como pano de fundo de uma juventude à deriva, ao ritmo do descarrilamento do protagonista.

Pedro Cabeleira iniciou o processo do filme quando tinha 21 anos, no momento em que terminou o curso de realização na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC) e, pouco mais tinha do que o curso e a vontade de fazer cinema, sem grandes recursos, mas com um leque de amigos e jovens actores que queriam fazer o mais possível com pouco. Segundo o realizador, “é um filme que não tem a ambição de representar toda a juventude nem todas as tendências do momento, mas acima de tudo é um filme que foi criado no seio de jovens, sobre os jovens, onde expusemos a nossa forma de viver e de ver o mundo naquele momento, tudo aquilo que nos fascina e tudo aquilo que nos destrói”. Eram momentos e sentimentos que também eles estavam a viver na realidade, com muitos episódios que realmente aconteceram entre Maio e Novembro de 2014 e tiveram influência e entraram na narrativa – quer pelo conteúdo, quer por questões de produção.

O papel principal (Chico) é também o primeiro desempenho de Pedro Marujo que, juntamente com Lia Carvalho, Ana Valentim, Daniel Viana, Sérgio Coragem, João Robalo, Luís Magalhães, Maria Leite, Ana Tang, Rodrigo Perdigão, Eugeniu Ilco, Cleo Tavares ou Isac Graça, compõe o elenco, havendo ainda uma participação especial do actor Nuno Melo.

Com um orçamento extremamente limitado, o filme foi possível graças a material emprestado, amigos de infância, muitos actores – o elenco é composto por mais de 150 intérpretes – rodagem em casas de conhecidos e outros espaços cedidos gratuitamente. A equipa, composta por gente com empregos e outros trabalhos, foi rotativa de forma a tornar possível 43 dias de rodagem espalhados ao longo de 7 meses e mais de 400 dias de pós-produção.

Uma referência especial também para a banda sonora, que acompanha toda a narrativa, onde os jovens são também a parte determinante, contando com temas de Éme (Cafetra), DJ Nigga Fox (Príncipe Discos), entre outros.

A distribuição nacional vai estar a cargo de Filmin Portugal, a recém-nascida plataforma VoD de cinema independente e de autor, que com este filme se lança na distribuição alternativa de novos talentos portugueses.

Sinopse
O Verão de Chico começa na terra, ao pé dos avós, debaixo dos limoeiros, no escape da atmosfera da infância. Mas o seu lugar agora é na capital, onde terminou o curso e para onde parte à procura de emprego. Pertence a uma geração sem expectativas, à qual a idade adulta começa às portas do nada. São as noites lisboetas, com os seus amores e desamores, que o amparam com um hedonismo psicadélico, onde a angústia em combustão forma euforia. Um fresco de uma geração sem objectivos.

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