Programas de Fitness como zumba, spinning e até cross fit potenciam perda auditiva

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Se está empenhado em ficar em forma para o Verão e, até já aumentou o número de visitas semanais ao ginásio, para fazer aquela aula de Zumba ou o treino de cardio que o faz sentir espetacular no final, tenha cuidado com a sua audição!

Um estudo realizado na Universidade George Mason, Virgínia, acaba de comprovar que nos programas de fitness como Zumba, Spinning, e Bodypump, e até no Crossfit, a música alta anda de “mãos dadas” com a perda auditiva. No seu estudo, os investigadores constataram que uma das aulas mais populares, o Spinning, está entre os programas de fitness mais perigosos para audição, uma vez que os níveis de ruído estridentes avaliados no decorrer desta aula chegavam aos 110 decibéis, em qualquer local da sala. Este nível de decibéis assemelha-se ao ruído provocado por uma motosserra ou um motor a jato. Cada vez mais popular e, também na lista das modalidades mais perigosas para a audição está o Zumba. Os investigadores constataram que os níveis de decibéis constantes numa aula de aeróbica como BodyPump ou Zumba ultrapassaram os 90 decibéis, sendo qe 80Db é o recomendado pela OMS para que se mantenha uma saúde auditiva. Até mesmo o Crossfit, que está a ganhar popularidade em Portugal, não está isento de riscos: as batidas entre pesos, a queda de objetos pesados e a inversão de pneus criam sons com ondas de choque intensas semelhantes a explosões. E nada disso é saudável para a sua audição, potenciando seriamente o aparecimento de perda auditiva por indução.

“Embora já saibam que a exposição prolongada à música alta é prejudicial, a grande maioria dos instrutores – que são quem tem mais probabilidade de desenvolver perda auditiva – acham que a música mais alta aumenta a motivação dos seus alunos. E, muitas vezes, são os próprios alunos que potenciam esse pensamento: é bastante comum ouvirmos alguém a pedir para aumentar o volume do som durante uma aula. No entanto, a resposta ao aumento do som da música – aquela ideia de treino mais intenso – não é mais que uma reação fisiológica: a música alta estimula a resposta do corpo ao stress e gera um fenómeno conhecido como ‘luta ou fuga’. O corpo liberta mais adrenalina, a frequência cardíaca aumenta, respiramos mais rápido e começamos a transpirar mais. As características da ‘luta ou fuga’ assemelham-se muito às de um treino intenso” explica Pedro Paiva, Audiologista da MiniSom. “A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é a principal causa de perda auditiva possível de prevenir. É importante que as pessoas percebam que, embora os alunos se consigam habituar à música alta numa aula de Zumba, os seus ouvidos não conseguem. As células interiores que levam o som do exterior para o cérebro danificam-se, morrem, e uma vez perdidas, não voltam a regenerar-se. A PAIR começa de forma ‘inocente’, sem ser notada e através da perda auditiva de sons de alta frequência. É gradual e, quando a pessoa percebe que sofre de perda auditiva, já é tarde demais para qualquer tipo de prevenção.”

Pedir para aumentar o som e reagir desagradavelmente quando outros alunos na mesma sala pedem para baixar um pouco é uma realidade que acontece na grande maioria das aulas de grupo. Os níveis de audição do som da música dependem do local da sala onde os alunos estão: quem está ao lado de uma coluna ouve sempre a musica num tom superior ao de alguém que está no meio da sala. O próprio instrutor, se estiver a dar a aula em cima dum placo, que o coloca acima da saída de som da coluna, ouve menos o som da música que os seus alunos. Mas o nível de decibéis atinge níveis muito mais elevados que os recomendados, em qualquer parte da sala.

Então, como perceber se a música está muito alta? “Se a pessoa tiver de gritar para ser ouvida por outra, ou se o próprio instrutor tiver de gritar por cima da música para ser ouvido, é sinal de alerta. O ideal é que todos os praticantes de aulas de grupo tomem precauções como a utilização de tampões de ouvido e a escolha de uma posição na sala, o mais longe possível das colunas. Instrutores e alunos devem também fazer um rastreio auditivo, gratuito nalguns centros, e testar a sua audição. Especialmente se tiverem sentido zumbido ou sensação de ouvidos tapados durante mais de um dia”, conclui o audiologista.

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