Ciclo de Música Discreta junta Ece Canlı, Rojin Sharafi, Nkisi e Tomoko Sauvage em encontros únicos

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Ciclo programático passará pelo gnration, no CCB e no Museu Vieira da Silva

O Ciclo de Música Discreta afirma-se como um espaço de encontro e experimentação artística centrado na escuta ativa e na partilha, propondo experiências que desafiam as formas habituais de ouvir e de estar com o som. Ao cruzar linguagens e práticas artísticas distintas, o mesmo cria um território comum entre artistas e público, onde o som é entendido não apenas como matéria estética, mas também como ferramenta de reflexão política, cultural e sensorial. A sua programação assenta em encontros colaborativos entre duplas de artistas, combinando residências, apresentações públicas e momentos de conversa, num modelo que valoriza tanto o processo criativo como a mediação e o contexto educativo.

O primeiro encontro do ciclo acontece no final de janeiro e junta Ece Canlı e Rojin Sharafi, duas artistas cuja prática explora o corpo, a voz e a electrónica como territórios de identidade, migração e transformação. Após uma residência no gnration, a dupla apresentará o trabalho final no mesmo espaço no dia 31 de janeiro. Em paralelo com este trabalho será ainda organizada uma conversa e sessão de escuta mediada por Lendl Barcelos, no espaço da Lovers & Lollypops no Porto a dia 29 de janeiro.

Radicada em Viena, a artista iraniana Rojin Sharafi constrói uma linguagem sonora singular onde emoções cruas se fundem com eletrónica e matéria acústica, dando origem a paisagens intensas e mutáveis em que ecos da música tradicional iraniana se entrelaçam com ritmos fragmentados e texturas contemporâneas. Ece Canlı, artista turca a viver em Portugal, constrói universos sonoros profundamente pessoais a partir de técnicas vocais estendidas, poesia não verbal e uma forte ligação à natureza, explorando a relação entre o humano, o animal e o cósmico em trabalhos como “Vox Flora, Vox Fauna” e “S A C R O S U N”. 

O segundo momento do ciclo decorre perto do Verão e reúne Nkisi e Gonçalo Cardoso. Um encontro que propõe trazer novas leituras aos ritmos ancestrais, cruzando práticas musicais ligadas à herança cultural com abordagens experimentais e contemporâneas. A residência alimentará uma apresentação no Centro Cultural de Belém e uma conversa e nova apresentação na Lovers & Lollypops no Porto. 

O terceiro e último encontro, a ter lugar no segundo semestre, junta Tomoko Sauvage e Inês Tartaruga Água, com atividades a decorrerem no Museu Vieira da Silva e na Lovers & Lollypops. Esta colaboração centra-se numa reflexão poética sobre a ligação entre humanos e o mundo natural, através de práticas sonoras delicadas e imersivas que convidam a uma escuta atenta e sensorial. 

Paralelamente aos processos de residência, apresentação e debate, o projeto inclui ainda uma vertente pedagógica, com uma oficina de construção de instrumentos a partir de materiais reutilizados a ter lugar na Escola da Alegria, no Porto.

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