Após o êxito da primeira edição, realizada em 2025, com salas esgotadas e uma programação de excelência, o Festival Internacional de Jazz de Oeiras (FIJO) irá regressar, entre 18 e 28 de fevereiro de 2026, ao Auditório Ruy de Carvalho.
Pensar a programação para a segunda edição do FIJO foi um enorme desafio à imaginação, mantendo as premissas que nortearam a estreia do evento: – o cruzamento de gerações, a equidade, a descentralização e o foco em construir um Festival internacional tendo músicos portugueses ao leme das formações internacionais.
Porque a música não tem cor, nem credo, nem idade, nem sexo, poderemos assistir a concertos que reúnem mulheres instrumentistas e compositoras na programação deste Festival, destacando-se logo a abrir a edição deste ano, a 18 de fevereiro, o quarteto que junta Sara Dowling (voz, violoncelo e composição), Clara Lacerda (piano e composição), Romeu Tristão (contrabaixo) e Jorge Rossy (bateria).
Sara Dowling, de ascendência palestiniana e irlandesa, é considerada uma das cantoras mais influentes da sua geração na Europa, tendo sido eleita melhor vocalista nos British Jazz Awards 2019. Jorge Rossy é um dos mais conceituados bateristas de jazz da atualidade. O seu trabalho como acompanhante inclui mais de 180 gravações com músicos como Brad Mehldau, Mark Turner, Chris Cheek, Seamus Blake, Joshua Redman, Kurt Rosenwinkel ou Steve Swallow, tendo ainda integrado digressões com alguns dos grandes nomes do Jazz, incluindo Charlie Haden, Wayne Shorter, Lee Konitz, Carla Bley e Joe Lovano.
Sara Dowling e Jorge Rossy conheceram Clara Lacerda e Romeu Tristão, os dois músicos portugueses que completam este quarteto, no verão passado, tendo tocado juntos pela primeira vez num festival em Sevilha, do qual resultou uma enorme vontade de continuarem a
tocar juntos. Teremos agora o privilégio de os receber no palco do FIJO, para escutar temas da autoria de Dowling e Lacerda, interpretados também por Tristão e Rossy.
A 19 de fevereiro, teremos em palco mais uma compositora, cantora e instrumentista, Rebecca Martin, que se fará acompanhar pelo guitarrista norueguês Lage Lund, conhecido pela sua sofisticação harmónica e uma estética muito própria, que fazem dele um músico de referência da atualidade.Entre muitos outros aspectos, Rebecca destaca-se no mundo do Jazz pela ponte que construiu com alguns dos mais estimados músicos da cena mundial, tendo em 2005 sido a primeira cantora a acompanhar, em disco, o baterista e compositor Paul Motian. Três anos mais tarde editou, em nome próprio, The Growing Season, cujo sucesso levou a que fosse convidada a tocar no nova-iorquino Village Vanguard, tornando-se na primeira cantora-compositora a atuar neste clube de Jazz em mais de 30 anos.Dona de uma voz incomparável e de uma forte componente autoral, Rebecca Martin e Lage Lund apresentam um concerto único no nosso país, na programação do FIJO 2026.
Graças à possibilidade de estender no tempo esta edição do Festival, passando de 4 para 8 dias, foi possível incluir no programa uma nova vertente, para além da performativa: a pedagógica. Assim, o FIJO 2026 incluirá a 20 de fevereiro uma masterclasse de entrada gratuita, ministrada pelo saxofonista americano David Binney que, no dia seguinte, a 21 de fevereiro, sobe ao palco ao lado do trio de João Barradas, para um concerto em que será tocado o disco Aperture, editado pela Inner Circle Music no passado mês de novembro.Barradas é um dos nomes maiores da música do nosso país, destacando-se como um dos músicos mais criativos da cena europeia do acordeão, movendo-se simultaneamente entre a música clássica e a música improvisada. A este juntar-se-ão Bruno Pedroso na bateria e André Rosinha no contrabaixo.Aperture é um disco que reúne música totalmente pensada para esta formação e para estes músicos e cujo resultado poderemos escutar, ao vivo, no Auditório Ruy de Carvalho.
Dia 22 de fevereiro, num contexto de criação de novos públicos, e em versão matiné, terá lugar o concerto comentado para famílias “A Idade do Jazz”, mais uma novidade na programação deste Festival.A atriz intemporal Isabel Ruth encarna aqui uma personagem saída de uma época que, tendo acontecido há 100 anos, não poderia ser mais atual.
Numa recriação em palco do que era um clube de Jazz nos “loucos” anos 20, a que não poderia faltar uma jazz-band, composta por Bruno Santos na guitarra e direção musical, Margarida Campelo na voz e piano, Zé Maria no saxofone, Romeu Tristão no contrabaixo e João Ribeiro na voz e bateria, somemos ainda um par de bailarinos de época para abrilhantar o espetáculo.
Direcionado para pais, filhos e avós, pretende-se que este seja um momento de encontro e partilha numa tarde de domingo, onde a história (também a do Jazz) do último século nos é apresentada, tendo sempre a música como fio condutor.
A abrir o segundo fim de semana do Festival teremos um concerto que se enquadra no perfil de “encomenda”, tentando evitar a palavra “homenagem” apesar de, no fundo, também disso se tratar. Assim, dia 26 fevereiro será dia de estreia do concerto “As Folhas Novas Mudam de Cor – A música de António Pinho Vargas”.
Com uma vasta obra na área do jazz, produzida entre os anos 80 e 90, as suas melodias resistiram ao tempo e fazem, indubitavelmente, parte da história do jazz português.Em palco, para além de António Pinho Vargas, que tocará a solo alguns dos temas mais emblemáticos da sua carreira, José Soares, Miguel Meirinhos, Hugo Carvalhais e Mário Barreiros (re)interpretarão, com a sua identidade musical, alguns dos temas de autoria de António Pinho Vargas, desse período, que contarão com arranjos dos músicos que formam este quarteto.
No dia seguinte, 27 de fevereiro, o FIJO recebe o saxofonista Andy Sheppard, que apresentará, em estreia, o novo trabalho discográfico do seu trio, editado pela prestigiada gravadora ECM, com Rita Marcotulli (Itália) no piano e Michel Benita (Argélia) no contrabaixo. Sheppard, músico que dispensa apresentações no meio do jazz, nasceu no Reino Unido e vive em Portugal há cerca de 10 anos. Compositor prolífico, Sheppard escreveu mais de 500 obras que incorporam um forte e característico sentido de lirismo, sendo ainda de destacar que Sheppard foi dos poucos músicos a trabalhar e gravar intensamente com três dos compositores seminais do jazz contemporâneo – Carla Bley, George Russell e Gil Evans.
A fechar o Festival Internacional de Jazz de Oeiras, dia 28 de fevereiro, estará o sexteto Mosaïc, composto por Georgi Dobrev (Bulgária), no kaval, Adèle Viret e Noé Clerc (França), no violoncelo e acordeão, respectivamente, Zé Almeida e Diogo Alexandre (Portugal), no contrabaixo e bateria, respectivamente, e Hamdi Ammoussi (Tunísia), na percussão. As composições que nos trazem são, acima de tudo, espaços para encontros musicais, no cruzamento entre o jazz e a música mediterrânica, traçando os contornos de um Mediterrâneo com fronteiras alargadas, incluindo Portugal e a Bulgária nas suas linhas. Mosaïc irá apresentar temas do seu disco de estreia, recentemente gravado e que será agora apresentado em estreia, em Portugal, onde são explorados mundos imaginários, cruzando culturas musicais e combinando a ornamentação balcânica com a cor da música de câmara da Europa Ocidental e a essência rítmica da música norte-africana.
//Flagra

Sê o(a) primeiro(a) a comentar