À semelhança do que acontece nos humanos, o cancro afirma-se cada vez mais como uma das principais doenças crónicas nos animais de companhia, impulsionado pelo aumento da esperança de vida. Atualmente, estima-se que 1 em cada 4 cães adultos desenvolva a doença ao longo da vida, uma proporção que sobe para cerca de metade em cães com mais de 10 anos.
Apesar da elevada incidência, muitos casos continuam a ser diagnosticados tardiamente, não por ausência de sinais, mas porque estes são frequentemente desvalorizados ou atribuídos ao processo natural de envelhecimento.
Ontem, dia 4 de fevereiro, Dia Mundial do Cancro, a AniCura relembrou os principais desafios no diagnóstico e tratamento desta doença em animais de companhia.
Os cancros mais comuns em animais de companhia
Em cães, os tipos de cancro mais frequentes incluem tumores mamários, linfomas, tumores de pele, como mastocitomas e melanomas, osteossarcomas (cancro ósseo) e hemangiosarcomas. Nos gatos, destacam-se os linfomas, tumores mamários e carcinomas de células escamosas.
“Determinadas raças apresentam maior predisposição para desenvolver certos tipos de cancro. Por exemplo, os Golden Retrievers e os Boxers têm maior incidência de linfomas e mastocitomas, enquanto raças de grande porte como o São Bernardo ou o Dogue Alemão são mais suscetíveis a osteossarcomas“, explica o Dr. Joaquim Henriques, médico oncologista da clínica.
Fatores de risco: genética, hormonas e ambiente
Além da predisposição genética, existem outros fatores que influenciam o risco de desenvolvimento de cancro. A esterilização precoce de cadelas, por exemplo, reduz significativamente o risco de tumores mamários, um dos cancros mais comuns em fêmeas não esterilizadas.
Fatores ambientais e de estilo de vida também desempenham um papel importante. A exposição prolongada ao sol pode aumentar o risco de tumores de pele em animais de pelagem clara ou com zonas de pele exposta. A obesidade, o sedentarismo e a exposição a determinados agentes químicos ou poluentes também podem contribuir para o desenvolvimento da doença
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
“Muitos tutores tendem a normalizar alterações no comportamento ou na saúde dos seus animais como parte do envelhecimento. No entanto, sintomas como perda de apetite, emagrecimento inexplicável, massas ou inchaços, feridas que não cicatrizam ou cansaço excessivo podem ser indicadores de cancro e merecem sempre uma avaliação veterinária“, alerta o Dr. Joaquim Henriques.
Prevenção: o primeiro passo no combate ao cancr
Embora nem todos os cancros possam ser prevenidos, existem medidas que os cuidadores podem adotar para reduzir o risco e facilitar a deteção precoce. Há cancros que se curam e a sua deteção precoce é fundamental:
- Consultas veterinárias regulares: Check-ups anuais são fundamentais, devendo ser semestrais em animais com mais de 7-8 anos.
- Esterilização: Reduz significativamente o risco de tumores mamários e reprodutivos.
- Vigilância ativa: Examinar regularmente o corpo do animal em casa, procurando massas, inchaços ou alterações na pele.
- Estilo de vida saudável: Manter o animal num peso adequado através de alimentação equilibrada e exercício regular.
- Rastreios em animais seniores: Análises ao sangue e exames complementares como a ecografia abdominal permitem detetar alterações precocemente.
Tal como na medicina humana, a deteção precoce é fundamental para aumentar as hipóteses de sucesso do tratamento e preservar a qualidade de vida do animal.
“Um diagnóstico atempado permite-nos oferecer mais opções terapêuticas e, sobretudo, preservar a qualidade de vida do animal durante mais tempo“, sublinha o médico veterinário.
Tratamentos cada vez mais avançados
A medicina veterinária tem registado avanços significativos na área da oncologia. Atualmente, estão disponíveis diversas opções terapêuticas, que vão desde cirurgia e quimioterapia a radioterapia e imunoterapia. A escolha do tratamento depende de vários fatores, incluindo o tipo de cancro, o estadio da doença e as condições gerais de saúde do animal.
“O nosso objetivo é sempre proporcionar o melhor tratamento possível, respeitando o bem-estar do animal e trabalhando em estreita colaboração com os tutores para encontrar a abordagem mais adequada a cada caso“, finaliza.
Qualidade de vida durante o tratamento
Um dos aspetos centrais no tratamento oncológico veterinário é a preservação da qualidade de vida do animal. Os protocolos são ajustados de forma individual, tendo sempre em consideração o conforto e o bem-estar, com o objetivo de prolongar a vida sem comprometer a sua qualidade
No Dia Mundial do Cancro, importa reforçar a importância da vigilância ativa da saúde dos animais de companhia e encoraja os cuidadores a procurarem aconselhamento veterinário sempre que detetarem alterações no comportamento ou na saúde dos seus patudos.
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