O Que Não Se Vê, o mais recente filme de Paulo Abreu, tem estreia nacional em competição no Porto/Post/Doc, no dia 25 de Novembro, no Teatro Rivoli, seguindo-se a exibição, no Doclisboa, no dia 7 de Dezembro, na Culturgest, após a estreia mundial, em Agosto, em Itália, no Pesaro Film Festival.
Com produção de João da Ponte e Filipa Reis (Uma Pedra no Sapato), O Que Não Se Vê é uma curta-metragem documental construída a partir de viagens de pesquisa para um filme nos Açores, entre 2015 e 2016, nas ilhas do Pico e Faial. Anos mais tarde, ao voltar ao material captado, o realizador Paulo Abreu encontrou um outro filme. Um filme escondido, em que o poder da natureza e o acaso revelam uma narrativa sobre a amizade, o cinema e a influência do imprevisto na criação artística.
Em 2015, o realizador viajou até à ilha do Faial, com o director de fotografia Lee Fuzeta e o produtor João da Ponte, (que residia nos Açores há muitos anos), para uma repérage à montanha do Pico. O projecto, que na altura queria realizar, intitulava-se A Grande Montanha, um filme que partia dos textos de Raul Brandão sobre o Pico e o fascínio que a sua paisagem lhe provocara, com a sua imponência, constantes mudanças de luz e de cor e as nuvens sempre em movimento ao seu redor. A estadia no Faial foi bastante produtiva, e o trio conseguiu boas imagens do Pico e estudar alguns futuros pontos de vista para a montanha.
No ano seguinte, regressaram ao Pico para continuar a pesquisa, mas um intenso nevoeiro impediu-os de filmar a montanha, levando à desistência da escalada ao topo devido ao clima adverso. Foram dias às voltas de carro, procurando a montanha, sempre escondida, inalcançável atrás das nuvens ou coberta por nevoeiro. Após o desanimado regresso a Lisboa, o realizador recebeu a notícia da morte de João da Ponte e decidiu abandonar o projecto.
Passados três anos, em 2019, em conversa com Lee Fuzeta, surgiu a ideia de regressar ao material filmado em repérage. Ao rever as filmagens e as conversas dos três entre cada take, deparoui-me com uma estranha sensação: afinal poderia ali estar um filme. Nasceu assim O Que Não Se Vê.
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