Entre tradição e criação: a música portuguesa em destaque
Penafiel acolhe, nos dias 10 e 11 de abril, um fim de semana cultural dedicado à música portuguesa contemporânea, centrado no lançamento do EP Bai-te à Murta, do Amicitia Chorus.
O programa integra dois concertos distintos. O primeiro assinala a apresentação do EP Bai-te à Murta, pelo Amicitia Chorus, com a participação de Sara Yasmine e Gil Dionísio. O segundo resulta de uma colaboração com Jorge Cruz, incidindo sobre Transumante e outros momentos marcantes do seu percurso, incluindo temas a solo, canções de Diabo na Cruz e fados escritos para diversos intérpretes.
Com Bai-te à Murta, o Amicitia Chorus revela o seu primeiro trabalho discográfico, afirmando uma identidade artística profundamente enraizada no património musical português. Neste concerto, o coro propõe uma abordagem contemporânea às sonoridades tradicionais, recriando melodias da tradição oral através da escrita coral, da percussão e de uma linguagem performativa que articula voz, corpo e memória. A participação de Sara Yasmine e Gil Dionísio acrescenta novas dimensões expressivas, ampliando o diálogo entre tradição e criação.
Mais do que revisitar o passado, Bai-te à Murta procura escutá-lo no presente, celebrando a força coletiva da voz e a capacidade da música para unir gerações, territórios e imaginários.
No segundo momento, o Amicitia Chorus junta-se a Jorge Cruz para dar continuidade a um percurso artístico que traz a tradição para o presente como espaço de reinvenção. No centro do programa está Transumante, o mais recente trabalho do compositor, cujas canções, inspiradas no imaginário rural e na relação entre língua e paisagem, são aqui recriadas com a participação do coro, adquirindo novas texturas e uma dimensão coletiva.
O concerto percorre ainda diferentes fases da obra de Jorge Cruz, incluindo temas dos seus discos a solo, canções de Diabo na Cruz e fados escritos para outros intérpretes. Ao integrar este repertório na linguagem do Amicitia Chorus, propõem-se novas leituras de uma obra que tem marcado a música portuguesa contemporânea.
Este encontro reúne dois universos artísticos distintos, unidos pela atenção à palavra, ao território e à construção de uma identidade sonora própria.
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