Os Ão editam hoje Malandra, o seu segundo ábum de originais, um trabalho mais denso, mais físico e emocionalmente mais exposto, que sucede a Ao Mar, o disco de estreia lançado em 2023.
Malandra é uma palavra ambígua, tal como o disco que nomeia. Os Ão descrevem-na como “uma mulher que avança pela vida com humor, inteligência e charme, seguindo os seus desejos e dobrando as regras quando necessário. Livre e lúdica, mas também astuta e contraditória, é alguém que aceita as suas sombras sem abdicar da própria verdade”.
Malandra é um álbum de contrastes. As canções oscilam entre o acolhimento e a ameaça, entre a ternura e o confronto. O som expande-se: torna-se mais rítmico, mais sensual, por vezes mais cru. A respiração é mais funda, o pulso mais urgente. Há espaço para o silêncio e para o excesso, para a fragilidade e para o impacto.
Cada faixa do álbum encarna uma personagem, figuras que ganham rosto no universo visual do disco e que foram tomando forma ao longo dos anos. Há a melancolia de Orgulho, a dúvida que arde em Talvez, a paisagem de sofrimento de Cinza ou a fuga inquieta de Cada Vez, marcada por passos de milonga instável. Os ritmos febris de Aren’t You Tired convivem com a persistência paciente de Volta. O álbum abre com Me Condena, onde a malandra se coloca em julgamento e desafia o ouvinte a fazer o mesmo: “condena-me”.
O disco nasceu em movimento, entre digressões, países e versões da própria banda. O processo criativo dos Ão nunca é linear: as canções emergem de acordes esquecidos, jams improvisadas, fragmentos de texto, acidentes felizes, gravações captadas ao acaso. Essa abertura à serendipidade traduz-se numa produção rica e num leque alargado de instrumentos (charango, bandoneón, tiple, metais, sintetizadores, cuíca), sempre ao serviço do impacto emocional, nunca do virtuosismo gratuito.
Nos últimos anos, os Ão afirmaram-se na Bélgica e no circuito europeu como uma das propostas mais singulares da nova música alternativa. A sua linguagem cruza eletrónica, art pop e pulsões latinas com um sentido profundo de saudade, não como género, mas como estado emocional. O resultado é um som sem fronteiras claras, difícil de catalogar, onde o ancestral e o futurista coexistem, tal como já aconteceu, em momentos distintos, com artistas como Stromae, Rosalía ou C. Tangana.
À frente da banda está Brenda Corijn, que canta em português e inglês e transporta para a música a sua herança moçambicana e europeia. A sua voz quente atravessa as guitarras acústicas e elétricas de Siebe Chau, as camadas eletrónicas de Jolan Decaestecker e a percussão orgânica e mutante de Bert Peyffers. Juntos, constroem uma sonoridade híbrida, fluida, onde cada elemento respira e se transforma.
Ao vivo, os Ão constroem uma experiência imersiva e magnética. Entre momentos íntimos e explosões rítmicas, o público é conduzido por um universo sonoro onde percussão, eletrónica e guitarras se entrelaçam sob a voz luminosa de Corijn. É uma música que tanto pertence a palcos de rock e eletrónica como a festivais de pop, folk ou jazz.
Em 2026, os Ão apresentam Malandra numa digressão internacional com passagem por Itália, Alemanha, Áustria, Luxemburgo, Suíça, França e Países Baixos, entre outros países. Na Bélgica, o concerto de apresentação acontece na Ancienne Belgique.
Próximos Concertos
20 fevereiro, 4AD, Diksmuide, Bélgica
27 fevereiro, Muziekclub N9, Eeklo, Bélgica
28 fevereiro, CC MUZE, Heusden-Zolder, Bélgica
6 março, Kino Šiška, Ljubljana, Eslovénia
9 março, Flucc, Viena, Áustria
10 março, Berghain Kantine, Berlim, Alemanha
11 março, Kassablanca Gleis 1, Jena, Alemanha
12 março, Colónia, Alemanha
13 março, KIFF, Aarau, Suíça
18 março, POPUP!, Paris, França
19 março, De Gudde Wëllen, Luxemburgo
20 março, Rotown, Roterdão, Países Baixos
21 março, EKKO, Utrecht, Países Baixos
26 março, Ancienne Belgique, Bruxelas, Bélgica
28 março, MEZZ, Breda, Países Baixos
23 maio, Loulé TBA
12 junho, Best Kept Secret Festival, Hilvarenbeek, Países Baixos
12 julho, Gent Jazz Festival, Gante, Bélgica
8 agosto, Festival Dranouter, Dranouter, Bélgica
12 novembro, Ha Concerts, Gante, Bélgica
19 novembro, Cactus Club, Bruges, Bélgica
21 novembro, Reflektor, Liège, Bélgica
26 novembro, Het Depot, Leuven, Bélgica
3 dezembro, De Roma, Antuérpia, Bélgica
18 dezembro, Lisboa, TBA
19 dezembro, Porto, TBA
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