“prétu 1 – Xei di Kor” no Teatro do Bairro Alto

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Imensamente celebrado como um dos melhores registos sonoros de 2023, “prétu 1 – Xei di Kor” ganha vida em palco, no raiar de 2024.

Assinado por prétu, o afronauta que é a mais recente encarnação “esquizofónica” de Xullaji – também conhecido como Chullage -, este é mais que um álbum ou um simples concerto.

“prétu 1 – Xei di Kor” assume-se como uma experiência performática revolucionária que ultrapassa os limites da música e de qualquer catalogação, convidando a explorar uma narrativa de resistência africana e a desafiar as perspectivas convencionais de cultura e identidade. Partindo de samples e de originais percussões, esta é uma proposta que abre fendas na História, ao mesmo tempo que assenta as bases no pan-africanismo, na denúncia do racismo, do colonialismo, do capitalismo e das desigualdades, inspirando uma profunda reflexão sobre as questões sociais, políticas, económicas e culturais actuais.

Denso, arrebatador, desarmante e inabalável são alguns dos adjectivos que definem este que é o primeiro dos três tomos da viagem cósmica de prétu, viagem essa onde, para além da música afrofuturista, cabem ainda o teatro, a performance, a instalação, a fotografia e o audiovisual.

No dia 19 de Janeiro, o influente rapper, poeta sónico, artivista e cronista da realidade afro-portuguesa de raiz cabo-verdiana sobe ao palco com a obra total que tem vindo a criar nos últimos 10 anos. No TBA, os muitos pantones que definem a autenticidade de “prétu 1 – Xei di Kor” tornam-se uma e todas as cores, e Xullaji feito prétu mete os dedos na ferida com os seus inquietantes e tensos sintetizadores, as percussões que constroem a ponte entre a tradição e o futuro de forma não linear, e palavras que surgem do eco de outras como as do escritor James Baldwin, de Amélia Araújo e Amílcar Cabral – históricos do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) -, da activista Angela Davis ou do filósofo Frantz Fanon.

Com ele, o colectivo peles negras, máscaras negras, Mick Trovoada na percussão, Henrique Silva na guitarra e teclados, e os convidados Ilda Vaz e Landim (vozes), John D’Brava (cavaquinho) e Braima Galissá (kora). Em fundo, os vídeos feitos em colaboração com PNMN, Orlando Podence e Mónica de Miranda.

“Quero mesmo acreditar, preciso de acreditar, que nós temos que continuar a tentar intuir, sonhar, imaginar e fazer outras possibilidades”, manifesta o artista em constante processo revolucionário e criativo interno.

Este é o primeiro concerto do TBA com coletes sensoriais para pessoas surdas e que conta também com legendagem em português e crioulo.

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