Teatro: Há dois anos que eu não como pargo

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Há dois anos que eu não como pargo, nova produção de teatro da Companhia Mascarenhas-Martins, estreia a 12 de Março no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida, Montijo Com texto de Miguel Branco, encenação de Levi Martins e interpretação de André Alves, João Jacinto, Inês Dias e Pedro Nunes, o espectáculo tem também apresentações marcadas para Abril no Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal, em Maio no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço, Algés, e em Junho no Teatro da Politécnica, Lisboa.

Há dois anos que eu não como pargo é o segundo texto para teatro de Miguel Branco, depois de em 2019 ter estreado Até Parece, espectáculo que partiu de uma reflexão colectiva sobre o conceito de crise, também uma produção Mascarenhas-Martins dirigida por Levi Martins. É o fim dos quadros encadeados e aparentemente não interligados. Já não estamos na lua, já não estamos na lavandaria, estamos num T3 suburbano, seguramente margem-sulense. O tempo nunca muda. O espaço nunca muda.

Alguma coisa alguma vez mudou? Há dois anos que eu não como pargo é assumidamente anti-pescadinha-de-rabo-na-boca. Ou seja: mesmo que tudo o seja podemos dar-lhe outro nome? Pronto. Assim é melhor. É a raiva pós-laboral, o vidro sujo de janela de um qualquer transporte público, FIFA, litrosas no lugar dos braços, o filtro em S ou em W, ideias para projectos que nunca serão nada. A decoração é descrita pelo autor como «uma espécie de didn’t yourself, com objectos coxos agarrados do lixo, heranças que os avós rejeitaram, escadotes a servir de arrumos para livros, quadros apanhados enquanto os senhores das mudanças do prédio do vizinho devoravam a mão de vaca na tasca, mais vulgarmente conhecida como Os Alienados, ou o Pedro, o rosto sisudo atrás do balcão»

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