Ljubomir Stanisic “Cansaço. Raiva. Frustração. Sinto isto tudo”

0

Chef jugoslavo partilhou longo desabafo sobre as dificuldades pelas quais a restauração atravessa devido às medidas que têm sido tomadas pelo governo numa tentativa de travar a pandemia

No início desta semana entraram em vigor as novas medidas de contingência do governo para fazer face ao crescente número de casos e evitar o colapso do SNS. À semelhança da primeira vaga, o setor da restauração volta a ser um dos mais lesados e Ljubomir Stanisic não esconde a sua revolta.

“Cansaço. Raiva. Frustração. Sinto isto tudo” assim começa o longo desabafo do chef jugoslavo partilhado nas redes sociais. “Em Março, fui uma das vozes que defendeu publicamente o encerramento dos restaurantes. Porque enfrentávamos pela primeira vez uma pandemia que não conhecíamos, não sabíamos exactamente como se propagava ou como nos poderíamos proteger. Porque a saúde e as pessoas tinham (têm) de estar primeiro. Até porque, sem elas, não existe sequer economia”.

“Nos mais de dois meses que estivemos encerrados e desde então, tivemos tempo. Para aprender mais sobre o vírus, para definir regras para o funcionamento dos restaurantes salvaguardando trabalhadores e clientes, para estabelecer protocolos que nos permitem manter a economia a funcionar sem comprometer a saúde. A maioria dos restaurantes têm sido exemplares no cumprimento das regras. Cumprimos tudo o que nos recomendaram e pediam e fomos mais além. Falo por nós, 100 Maneiras, mas também pelos muitos restaurantes de colegas e amigos que vi reinventarem-se com uma capacidade de adaptação admirável”.

“Os fins-de-semana são cruciais para a sobrevivência dos restaurantes. É preciso fazer alguma coisa, é certo, mas num momento em que os restaurantes serão provavelmente dos sítios onde as normas se seguem mais à risca, esta é uma medida com uma eficácia de que duvido muito e com um custo potencialmente letal para todos os que trabalham directa ou indirectamente neste sector. São cozinheiros, copeiros, ajudantes, empregados de sala, escanções, hosts, administração, equipas de comunicação, pessoal da manutenção, mas são também os fornecedores, produtores, todos aqueles cujos produtos não encontrarão forma de ser escoados”.

Para finalizar, o chef jugoslavo deixa um apelo “São centenas de bocas que ficarão por alimentar. Bem sei que a restauração não é o único negócio afectado, que este é um momento duríssimo para todos. Mas permitam-nos fazer parte da solução. Não nos deixem para trás. Da nossa parte, o compromisso é absoluto. Só queremos sobreviver. Porque não é só da doença que se morre… Por isso, se puderem, vão comer: aos restaurantes de bairro, aos estrelados, aos tradicionais, aos familiares, aos alternativos… Mas vão. Não podemos ficar de braços cruzados a ver um sector morrer. Malta da restauração, façam-se ouvir!”.

Ver essa foto no Instagram

Cansaço. Raiva. Frustração. Sinto isto tudo. Em Março, fui uma das vozes que defendeu publicamente o encerramento dos restaurantes. Porque enfrentávamos pela primeira vez uma pandemia que não conhecíamos, não sabíamos exactamente como se propagava ou como nos poderíamos proteger. Porque a saúde e as pessoas tinham (têm) de estar primeiro. Até porque, sem elas, não existe sequer economia. Nos mais de dois meses que estivemos encerrados e desde então, tivemos tempo. Para aprender mais sobre o vírus, para definir regras para o funcionamento dos restaurantes salvaguardando trabalhadores e clientes, para estabelecer protocolos que nos permitem manter a economia a funcionar sem comprometer a saúde. A maioria dos restaurantes têm sido exemplares no cumprimento das regras. Cumprimos tudo o que nos recomendaram e pediam e fomos mais além. Falo por nós, 100 Maneiras, mas também pelos muitos restaurantes de colegas e amigos que vi reinventarem-se com uma capacidade de adaptação admirável. Os fins-de-semana são cruciais para a sobrevivência dos restaurantes. É preciso fazer alguma coisa, é certo, mas num momento em que os restaurantes serão provavelmente dos sítios onde as normas se seguem mais à risca, esta é uma medida com uma eficácia de que duvido muito e com um custo potencialmente letal para todos os que trabalham directa ou indirectamente neste sector. São cozinheiros, copeiros, ajudantes, empregados de sala, escanções, hosts, administração, equipas de comunicação, pessoal da manutenção, mas são também os fornecedores, produtores, todos aqueles cujos produtos não encontrarão forma de ser escoados. São centenas de bocas que ficarão por alimentar. Bem sei que a restauração não é o único negócio afectado, que este é um momento duríssimo para todos. Mas permitam-nos fazer parte da solução. Não nos deixem para trás. Da nossa parte, o compromisso é absoluto. Só queremos sobreviver. Porque não é só da doença que se morre… Por isso, se puderem, vão comer: aos restaurantes de bairro, aos estrelados, aos tradicionais, aos familiares, aos alternativos… Mas vão. Não podemos ficar de braços cruzados a ver um sector morrer. Malta da restauração, façam-se ouvir!

Uma publicação compartilhada por ljubostanisic (@ljubostanisic) em

//AR

Artigos Relacionados

Sê o(a) primeiro(a) a comentar

Veja também