Mãe de Nonô faz homenagem à pequena guerreira

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A menina que adorava princesas e vivia num mundo cor de rosa partiu há quase um mês, após uma dura batalha contra um tumor num rim (tumor de Willms bi-lateral).

A pequena Nonô morreu de cancro

A sua curta vida foi um verdadeiro exemplo de luta e coragem para muitos e, apesar de todas as adversidades que teve de enfrentar numa idade em que apenas se deveria preocupar com princesas, nunca perdeu o sorriso servindo como um verdadeiro exemplo de inspiração.

Vanessa Afonso: “Ainda sinto o cheiro da Nonô”

Quase um mês de intensa saudade e dor, Vanessa Afonso partilhou uma sentida homenagem à sua estrelinha na página “Os Aprendizes de Nonô“.

Comecei a sonhá-la assim que soube que a trazia dentro de mim.

Comecei a sonhar Côderosa no minuto em que me ligaram do laboratório e disseram ” É UMA MENINA!!! “.

Assim que nasceu, tinha um infinito enxoval de laços, bordados e cueiroscôderosa á sua espera e o meu coração em êxtase para a sentir, cheirar e ter nos meus braços.

A cumplicidade entre nós despontou ao 1º olhar.

Lembro-me de não suportar ouvir o seu choro mais do que uma gata em ânsias quando guarda com amor a sua ninhada… 

Coladinha a mim. Era onde ela gostava de estar.

Lembro de mais recentemente, durante a noite, perguntar-lhe porque razão é que com uma cama tão grande só para as duas, dormia sempre em cima de mim… A resposta entre risos gozões e galhofeiros era ” Porque eu gosto. Porque onde tu estás eu estou!”…

Falávamos uma com a outra sempre num tom de amor e cumplicidade que em alguns momentos, por momentos, sentia estar a falar com uma grande amiga de anos.

Há uns tempos li algures um texto sobre ALMAS GÉMEAS.

Hoje acredito que a minha FIA É a minha ALMA GÉMEA…

Em tudo estávamos ligadas… As piadas dela tornavam-se as minhas quando as recontava a alguém. As minhas eram a sua fonte de inspiração.
Escolhíamos roupas em conjunto, partilhávamos sonhos e segredos… 

Fizemos planos… tantos planos…

Ela ia ser Doutora dos Bebés e dos Animais, Cantora e Top Model… eu, a sua eterna admiradora.

Ela confiava cegamente em mim. Eu acreditarei nela para sempre… A MINHA ALMA GÉMEA. 

Dois dias antes de partir, zangou-se comigo…

De repente já não sorria para mim… não me respondia… não me olhava nos olhos…

Eu dizia para quem me ouvia, “a minha Fia esta zangada comigo” e nesse mesmo instante sentia o meu coração apertar…

Diziam-me serem coisas da minha cabeça e que ela apenas estava cansada… com dificuldades em respirar mas eu SABIA. 
EU CONHEÇO A MINHA FIA… conheço cada poro do seu corpo, cada expressão do olhar, e eu sabia que a minha Fia estava zangada comigo.

– “Fia…? Estás zangada com a Mamy…?”

Olhava em frente e nada dizia…

Naqueles dias, vivia o pior momento da minha vida. O medo de a perder e consciência do estado dela, arrebatavam-me as forças e por minha companhia ficavam o choro e as lágrimas.

Nunca chorei diante da minha Fia. 
Sempre quis que me visse como sabia que ela me acreditava ser…: Forte. Inabalavél. Segura. 

A determinada altura, estando ambas sozinhas no quarto e estando eu a assoar-me, consumida pela sinusite, rinite, e tudo o que tenho acabado em “ite”, de tanto chorar escondida, oiço a sua voz de anjo dizer-me… “EU SEI PORQUE É QUE ESTÁS ASSIM…”

– O quê Fia…?
– Eu sei porque é que estás assim…
– Assim como, Fia? Dizia eu tentando disfarçar…
– Assim!!!!! Apontando para os meus olhos e nariz inchados…
– Ai sim, Fia…? Então é porquê…?
– Porque andas a chorar que nem uma porca!!

Ehehehehhehehehe!
Assim falávamos em tom de brincadeira uma com a outra… como duas amigas a quem tudo se pode dizer… assim era a minha Nonô… Espontânea, de língua solta… procurando graça e piada em tudo o que dizia para que mesmo quando zangada, o discurso parecesse menos sério…

– Não ando nada, Fia.
– Andas sim que eu sei! E eu não gosto. E enquanto tu andares assim, eu não olho nem falo para ti!

Fiquei atordoada por uns segundos. Estava ali a resposta ao meu sentir. Eu sabia. Eu sabia que a minha Fia andava zangada comigo e naquele momento, na intimidade da nossa solidão, ela mo confirmava…

Eu estava triste e ela não me queria ver triste.
Eu chorava e ela NUNCA gostou de me ver chorar… 

– Não te zangues comigo, minha vida. Se tu não gostas então a Mamy não vai chorar mais. Prometo.

Abracei-a, beijei-a tão forte quanto pude e até que a minha VIDA, até que a minha ALMA GÉMEA partisse, não verti uma lágrima mais…

Quando ela descansou, depois de a ver lutar pela vida como um gladiador na arena, saí daquele quarto de hospital e permiti-me SENTIR toda a dor que a ausência deixada pelo seu sorriso, trouxe á minha alma.

Uma das minhas grandes razões de viver, não estava mais ali e isso… isso, nem que eu viva 100 anos vou conseguir descrever…

Desde esse dia, os dias têm sido passados entre lágrimas de tristeza pelo vazio que sinto e sorrisos de orgulho pelos momentos de AMOR, CUMPLICIDADE, ALEGRIA e ENTREGA que vivemos juntas ao longo de mais de 5 anos e meio…

Os vídeos, as fotografias, os momentos… AS MEMÓRIAS…
Tudo está tão vivo em mim… ELA está tão viva em mim…

Para não me entregar ao sofrimento, sim, porque a dor é inevitável mas o sofrimento é opcional, mergulhei a cabeça no trabalho, na APLAS.

Tive momentos em que me senti chegar á beira da loucura, nestes últimos dias, sem a LUZ da minha vida a meu lado mas foi através da entrega ao AMOR pela causa que ela me deixou em mãos que descobri como conseguir suportar tudo o que ninguém nesta vida nos ensina a ter forças para enfrentar.

Amanhã, 4ª feira (ontem) completam-se 4 semanas de distância entre nós.

Tomei a decisão de honrar a minha Fia, fazendo aquilo que ela mais gostava de me ver fazer: VIVER.
Vou ao cabeleireiro. Vou fazer a depilação. Manicure. Pedicure.
Vou cuidar de mim. Não vou chorar.
Vou “Ficar bonita” como ela me dizia tantas vezes que me queria ver.

Depois… depois vou esperar pelo fim do dia para mais uma vez ver o céu ficar CÔDEROSA e senti-la bem junto a mim, como acontece todos os dias desde que ela se foi embora…
A cada final de tarde de céu côderosa, falo com ela e em alguns momentos quase que a consigo ouvir perguntar. “MAMY, ESTÁS FELIZ?”

Não estou, LUZ DA MINHA VIDA, mas com a tua ajuda, porque sei que onde estás tomas conta de mim, hei-de ficar …

Sei que o tempo jamais te irá apagar de mim e que voltaremos a estar juntas. 
Até lá, espera por mim, meu Amor… 

ONDE TU FORES, EU VOU
ONDE ESTIVERES, EU ESTOU 

Com o coração a rebentar de saudades,

Mãe Vanessa”

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