Sara Sampaio denuncia revista “Senti-me violada, maltratada e desrespeitada”

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Sara Sampaio

Modelo portuguesa denuncia nas redes sociais situação de abuso

Dona de uma beleza única, Sara Sampaio, que é também um dos rostos da Victoria’s Secret, é bastante requisitada pelas marcas. Numa altura em que nos Estados Unidos, e não só, se fala sobre o escândalo sexual que envolve o produtor Harvey Weinstein e os abusos para com várias celebridades, Sara Sampaio partilhou o seu testemunho.

A modelo usou as redes sociais, para denunciar os abusos de que foi alvo durante uma sessão fotográfica para a revista masculina Lui.

“Hoje, senti a necessidade de partilhar uma experiência recente que tive com a revista francesa Lui. Eu quero que cada modelo e cada mulher saibam que têm o direito de fazer as nossas próprias escolhas acerca do nosso corpo e imagem.

Eu concordei em fazer uma sessão para a capa de Outono da revista Lui, sob a condição de que não haveria nudez. A minha agência e eu insistimos em ter um acordo claro para me proteger da escolha que eu fiz em não ser fotografada nua.
Mesmo com a cláusula de “Não NUDEZ” no meu contrato com a Lui, eu fui agressivamente pressionada para fazer fotos nuas no set, perguntando-me porque eu não queria mostrar os meus mamilos ou estar completamente nua. Ao longo do dia, eu tive constantemente de me defender e reiterar os limites de não haver imagens de nudez, certificando que me cobria o melhor que podia. Quando eu revi as imagens finais, notei que houve acidentalmente partes expostas do meu corpo que eu não queria expostas. Levantei a voz e asseguraram-me que essas imagens não seriam usadas. A revista mentiu e procedeu à publicação da capa com uma fotografia minha com nudez, o que é claramente uma violação do nosso acordo.

Tal como tantas modelos, eu tive experiências negativas no passado e senti pressão para posar nua. Em muitas ocasiões em que as sessões não deveriam ter nudez, eu chegava ao set e o fotógrafo ou estilista faziam pressão, persuadiam ou mandavam que eu posasse nua porque eu o tinha feito no passado. Eu fui vítima de bullying. Muitas vezes, mostravam-me imagens minhas nua como exemplos para me forçar a posar nua, e sempre que batia o pé e recusava eu era criticada e julgada por eu ser difícil.

Estou confortável com o meu corpo e em estar nua em circunstâncias que eu considere uma forma de arte — este processo vem naturalmente, e é muito pensativo, criativo e colaborativo. Ao longo da minha carreira, eu fui muito selectiva sobre quando e como eu fotografo a nudez. Só porque eu consenti posar nua no passado, isso não dá permissão a ninguém para assumir que eu o farei novamente sob qualquer circunstância. Eu tenho o direito de mostrar o meu corpo como, quando, onde e para os propósitos que eu escolher. E quando eu fizer essa escolha, eu espero ser tratada com respeito e profissionalismo”.

A modelo refere mesmo “O que me fizeram é inaceitável. Senti-me violada, maltratada e desrespeitada como profissional e como mulher”, referindo que esta partilha tem como objetivo “eu quero prevenir que isto volte  a acontecer comigo e com outros. Infelizmente, isto não é um incidente isolado e eu não estou sozinha. À medida que as modelos continuarem a partilhar as suas experiências angustiantes, o bullying e o abuso sistémico dentro da indústria da moda, a verdade virá”.

“Como modelos e mulheres, nós precisamos de nos unir e exigir o respeito que merecemos. Nós temos o direito de fazer as nossas escolhas individuais sobre os nosso corpos, a nossa imagem e sobre a nossa vida”.

No mesmo comunicado Sara Sampaio dá conta que está a trabalhar com a sua agência no sentido de levantarem uma ação legal contra a revista Lui.

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