A capacidade de as células estaminais mesenquimais presentes no tecido do cordão umbilical suprimirem a rejeição de transplantes hepáticos foi demonstrada num recente ensaio clínico.
No estudo em causa, participaram 27 doentes em fase de rejeição aguda do transplante, distribuídos por dois grupos de forma aleatória. Um dos grupos, o grupo controlo, constituído por 13 doentes, recebeu a terapêutica imunossupressora convencional; os restantes 14 doentes, pertencentes ao grupo de tratamento, receberam a terapêutica imunossupressora convencional e células estaminais do tecido do cordão umbilical. Após a administração das terapêuticas, os doentes foram submetidos a análises sanguíneas, com ênfase nas funções hepática e imunológica.
O resultado das análises sanguíneas realizadas após o tratamento revelou melhorias significativas na função hepática e ao nível do sistema imunitário nos doentes do grupo de tratamento, em comparação com os do grupo controlo. Além disso, de acordo com o resultado das biópsias, os doentes do grupo de tratamento apresentaram uma estrutura hepática mais conservada e com menos sinais de inflamação. Não houve registo de efeitos adversos associados ao tratamento com células estaminais.
“Em doentes transplantados, a toma crónica de imunossupressores torna-se obrigatória, para evitar a rejeição do órgão transplantado. Contudo, esta medicação é muito agressiva para o organismo e aumenta a probabilidade do desenvolvimento de tumores. A par disto, cerca de 20-40% dos doentes experienciam rejeição do transplante, mesmo sob terapia imunossupressora. Deste modo, é importante desenvolver novas estratégias terapêuticas para prevenir a rejeição dos órgãos transplantados e diminuir a dose de agentes imunossupressores utilizada.”, explica Bruna Moreira, investigadora no Departamento de I&D da Crioestaminal.
A investigadora acrescenta ainda que “as células estaminais mesenquimais presentes no tecido do cordão umbilical têm propriedades regenerativas, anti-inflamatórios e imunomoduladoras, que têm sido estudadas no âmbito do tratamento de várias doenças autoimunes e prevenção da rejeição de transplante de órgãos. E, efetivamente, os resultados deste estudo demonstram que a administração de células estaminais do tecido do cordão umbilical é capaz de diminuir a inflamação, podendo ajudar a suprimir a rejeição aguda em transplantados hepáticos.”
A cirrose hepática caracteriza-se pela destruição do fígado e alteração da sua estrutura. Sendo este um órgão vital, quando a sua função fica demasiado comprometida, existe indicação para transplante hepático. Estima-se que os problemas de fígado afetem cerca de 8 a 10% dos portugueses e que, todos os anos, morram cerca de 2.000 pessoas em Portugal com cirrose hepática. Entre as principais causas destaca-se, em primeiro lugar, o consumo excessivo de álcool, seguido das hepatites C e B.
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