Após os protestos e a revolta nas redes sociais pelo facto de a TVI se ter referido às pessoas do norte como “menos educadas”, José Alberto de Carvalho abriu o “Jornal das 8” com um pedido de desculpas, num gesto sem precedentes.
Durante quase cerca de 3 minutos, o jornalista José Alberto de Carvalho abriu o “Jornal das 8” da TVI com um pedido de desculpas, depois de na véspera, no âmbito de uma reportagem sobre a Covid-19, o canal ter apresentado a população do norte como “menos educada” e “mais pobre”.
A situação despoletou “uma enorme onda de protestos”, como reconheceu o próprio José Alberto de Carvalho, considerando que foi “uma frase errada e infeliz e nunca devia ter sido escrita, nem exibida”. “Foi um erro e peço desculpa”, afiançou ainda o pivot, sublinhando que este pedido de desculpas surge “por convicção” e “não por obrigação ou porque fica bem”.
Depois de o director de informação da TVI ter já feito um mea culpa público, José Alberto de Carvalho reforçou a ideia, com um momento inédito na televisão portuguesa. Nunca um noticiário tinha começado com um pedido de desculpas semelhante, assumindo um erro num trabalho de jornalismo.
“Quando falam de Portugal sem respeito, nós importamo-nos todos e é isso que nunca pode estar em causa porque nunca esteve. A reacção nas redes sociais só pode ser de indignação. É totalmente legítimo. Se isso não tivesse acontecido é que teria sido dramático”, salientou José Alberto de Carvalho no seu pedido de desculpas.
No seu pedido de desculpas a abrir o “Jornal das 8”, José Alberto Carvalho fez ainda questão de realçar que os números apontam de facto o norte como a região nacional mais afectada pela pandemia de Covid-19, com 10.302 infectados confirmados, ou seja, 60% dos casos do país.
Segundo o jornalista, a reportagem da TVI pretendia, precisamente, o oposto daquilo que aconteceu, procurando avaliar se a resposta do Serviço Nacional de Saúde estava a ser a ideal na zona norte, perante o número mais elevado de casos.
“A nossa preocupação era, precisamente, a oposto àquela que foi disseminada e era apenas o ponto de partida para desenvolver um debate sobre a resposta das autoridades de saúde portuguesas às aparentes assimetrias regionais”, explicou ainda José Alberto de Carvalho.
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