Médico Gustavo Carona dos Cuidados Intensivos do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, recusou convite da apresentadora.
Gustavo Carona, anestesiologista, intensivista e médico humanitário dos Médicos Sem Fronteiras, divulgou um vídeo nas suas redes sociais que está a dar que falar. Isto porque ele faz um duro alerta sobre os perigos da covid-19, criticando quem desvaloriza a infecção, e revela que recusou um convite de Cristina Ferreira.
A apresentadora queria que ele fosse ao seu programa na TVI, “Dia de Cristina”, mas “teria de se deslocar ao estúdio, e preferencialmente levar a mãe”, para abordar o seu trabalho como médico dos Cuidados Intensivos nestes tempos de pandemia.
“Não estou minimamente interessado em contribuir para telenovelas”, refere, contudo, Gustavo Carona, notando que recusou o convite.
O médico faz questão de sublinhar que não tem “nada contra a pessoa, o programa, a produção”, mas reforça que o episódio “é de, alguma forma, representativo da total desorientação que estamos a ver neste momento, e da total incompreensão do desafio que estamos a passar”.
“Isto não é tempo para contar historinhas, é tempo para informar”, sublinha ainda Gustavo Carona.
A teoria do cobertor
Na publicação do seu vídeo no Facebook, o médico intensivista nota que decidiu gravar a mensagem para partilhar “o que é evidente para quem está por dentro, mas que não entra na cabeça de muita gente”.
“E se não formos todos a trabalhar em comunidade, isto vai doer muito”, avisa, notando que não é movido por opiniões políticas e que faz simplesmente a “apologia da seriedade e do realismo”.
Para que as pessoas entendam da gravidade da situação no Serviço Nacional de Saúde (SNS), Gustavo Carona fala da “teoria do cobertor”.
“O SNS é um cobertor em que se tivermos a procura de doentes de covid vamos ter que “destapar” a resposta aos doentes não covid”, sustenta, reforçando a infecção provocada pelo coronavírus “faz o cobertor diminuir”.
“O consumo de recursos por doente [nos pacientes com covid] é muito maior, muito mais exigente em termos de estrutura física, de recursos humanos”, explica ainda o médico, realçando que se os profissionais de saúde adoecerem, o cobertor fica ainda mais pequeno.
Gustavo Carona refere também que “já morreram 7 mil pessoas em relação ao periodo homólogo do ano passado, sensivelmente de Março a Outubro”, por doenças não associadas à covid-19, mas “morreram porque a pandemia existe”.
“Não morreram porque os médicos deixaram de ter interesse em tratar as pessoas”, reforça.
“Triagem de medicina de catástrofe”
Assim, o médico constata que estamos a viver um momento com “contornos nunca antes vistos” e sublinha que é preciso “acreditar nas instituições e nas pessoas que sabem mais do que nós”.
“Se desacreditarmos as instituições tudo se transporta em desordem e caos”, constata.
Gustavo Carona assinala igualmente que estamos a entrar numa fase em que teremos o que define como “triagem de medicina de catástrofe”, pois “não vamos conseguir fazer tudo”, “vamos ter que fazer escolhas” e “há pessoas que vão morrer que não precisavam de morrer”.
O intensivista ainda faz a defesa da directora-geral de Saúde e da ministra da Saúde, reforçando que, neste momento, “ninguém quereria ser decisor político, nomeadamente nas áreas da Saúde”.
Frisando que não votou no Governo socialista e que nem simpatiza especialmente com Graça Freitas, nem com Marta Temido, Gustavo Carona nota que tem “todo o respeito” por elas.
“É preciso ter uma grande coragem para estar a ser atacado permanentemente por ignorantes que não sabem rigorosamente nada e que querem transformar isto numa questão política”, conclui.
//SV
Abençoado médico!
Se todos fizessem o mesmo à “dita cuja”, ela não se julgaria a “rainha da Pérsia”…
Só num país de gente parola é que se pode endeusar uma criatura como essa…
Até a voz é irritante!
Enfim! É o país que temos e somos… mas, felizmente, nem todos afinam pelo mesmo diapasão de mau gosto e parolice…