Monica Lewinsky quebra silêncio sobre Bill Clinton e fala do que sofreu

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Vanity Fair / Divulgação

Monica Lewinsky quebra o silêncio e, pela primeira vez, 16 anos depois, fala publicamente sobre o seu caso com Bill Clinton. Num artigo na revista Vanity Fair ela fala do que sofreu por causa do “affair” que manteve com o ex-presidente norte-americano.

Está na altura de queimar a boina e de enterrar o vestido azul“, atira a ex-estagiária da Casa Branca, agora com 40 anos, numa referência à imagem de si própria que ficou para o mundo depois da revelação do caso, em 1998.

A Vanity Fair divulgou apenas a fotografia reproduzida acima, com Monica Lewinsky no seu apartamento em Los Angeles, bem como extractos do artigo escrito na primeira pessoa. O ensaio completo sairá na edição de Junho da revista.

Monica Lewinsky procura mostrar o seu arrependimento por se ter envolvido com Bill Clinton, lamentando a humilhação pública de que foi alvo e confessando que sofreu, inclusive, de tendências suicidas durante a fase de investigação e depois disso. Também relata as dificuldades em arranjar trabalho por ser constantemente associada ao “affair”.

Ela alega que tentou ficar o mais longe possível dos média durante a campanha presidencial de 2008, em que Hillary Clinton concorreu, apesar de “inundada com pedidos da imprensa“, e que, em 2012, desistiu de anunciar vários projectos, mas que, finalmente, embora com receio de se “tornar um assunto“, decidiu quebrar o silêncio. “Deveria eu por a minha vida em espera por mais 8 ou 10 anos?” É a pergunta que Monica Lewinsky deixa no ar como quase resposta para o seu aparecimento público presente numa altura em que se espera que Hillary Clinton anuncie, mais uma vez, a sua candidatura à Presidência dos EUA.

Monica Lewinsky nota que muitos acreditam que foi o casal Clinton que lhe pagou pelo silêncio que manteve durante vários anos, mas ela frisa que isso está “longe da verdade“.

A ex-estagiária faz ainda referência à letra da música de Beyoncé “Partition” que inclui o verso “Monica Lewinski’d all on my gown“, sublinhando que ela deveria antes dizer “Bill Clinton’d all on my gown“.

Para o futuro, Monica Lewinsky define como meta o envolvimento na ajuda “às vítimas de humilhação e de abuso na Internet e começar a falar sobre este tópico em fóruns públicos“.

Leia alguns dos extractos do artigo de Monica Lewinsky na Vanity Fair…

Eu lamento profundamente o que aconteceu entre mim e o Presidente Clinton. Deixem-me dizê-lo de novo: Eu. Lamento. Profundamente. O que. Aconteceu.

Estou determinada a ter um fim diferente para a minha história. Decidi, finalmente, colocar a cabeça acima do parapeito de modo a poder recuperar a minha narrativa e a dar um propósito ao meu passado. (O que é que isto me vai custar, em breve descobrirei.)

É certo, o meu chefe aproveitou-se de mim, mas continuarei sempre firme neste ponto: foi uma relação consensual. Qualquer abusou veio depois, quando me tornaram um bode expiatório de modo a proteger a sua posição poderosa. A Administração Clinton, os lacaios dos Procuradores especiais, os operacionais políticos de ambos os lados do corredor e os média foram capazes de me marcar. E a marca ficou, em parte porque estava imbuída de poder.

“[Depois do escândalo] Recusei ofertas em que ganharia mais de 10 milhões de dólares, porque não me pareciam a coisa certa a fazer.

Por causa do que os potenciais empregadores chamavam, diplomaticamente, a minha “história”, nunca fui “muito adequada” para a posição. Em alguns casos, eu era a pessoa certa pelas razões erradas, como em “claro, no seu trabalho vai ser necessário ir a eventos. E, claro, estes serão eventos em que a imprensa marcará presença.

A Senhora Clinton, li, supostamente confidenciou a Blair que, em parte, ela se culpava pelo caso do marido (por ser emocionalmente negligente) e parecia tê-lo perdoado. Embora ela achasse que Bill tinha mantido um “comportamento altamente inapropriado”, o “affair” foi, mesmo assim, consensual (não foi uma relação de poder). […] [Hillary Clinton] pode ter culpado o marido por ser inapropriado, mas considero o seu impulso para culpar a mulher – não apenas eu, mas ela própria – preocupante.

“[Sobre a mãe] Ela repetia aquelas semanas quando tinha estado ao lado da minha cama, noite após noite, porque eu também estava suicida. A vergonha, o desprezo e o medo que tinham sido atirados contra a sua filha deixavam-na com receio de que pudesse matar-me – um medo que me deixava, literalmente, humilhada de morte.

Talvez, partilhando a minha história, raciocinei, seja capaz de ajudar outros nos seus momentos mais negros de humilhação. A pergunta tornou-se: como encontro e dou um propósito ao meu passado?

Graças ao relatório Drudge, fui possivelmente a primeira pessoa cuja humilhação global foi motivada pela Internet.

O caso extra-conjugal de Bill Clinton com Monica Lewinsky foi tornado público em 1998. O “affair” entre ambos começou em 1996, quando ela era estagiária na Casa Branca. Aquando do estalar do escândalo, já ela tinha sido transferida para o Pentágono, onde manteve o relacionamento com o então presidente dos EUA.

Nas suas autobiografias Bill e Hillary Clinton contam o seu lado do caso. O ex-presidente norte-americano refere que passou várias noites a dormir no sofá durante, pelo menos, dois meses. Já a pretensa candidata presidencial escreveu que houve uma altura em que só o cão de família, Buddy, falava com Bill Clinton.

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