Vivemos, claramente, na era das aplicações, ou apps. Onde tudo na vida para ser «on demand» e onde todas as situações da nossa vida quotidiana parecem ter uma app associada. Comer, beber, praticar desporto, trabalhar.
Existem apps para praticamente todos os contextos da vida em sociedade, onde os relacionamentos interpessoais não são exceções. Muito pelo contrário.
As aplicações associadas à promoção de encontros entre pessoas têm aumentado significativamente, quer em número, quer em utilizadores.
As redes sociais estão, hoje em dia, completamente instaladas nas nossas vidas e na nossa sociedade, de tal forma, que funcionam como uma espécie de montra digital da vida de cada um, onde cada pessoa pode mostrar o que quer, ao mundo.
Neste contexto, as aplicações que promovem encontros casuais utilizam esta mesma ideia de montra social para que as pessoas possam «escolher» quem mais lhes agrada para, quem sabe, marcar um futuro encontro.
Vantagens e desvantagens do descompromisso digital
Este tipo de relações, que têm como ponto de partida um suporte digital, tem uma vantagem óbvia para os seus utilizadores: a de proporcionar um certo descompromisso com a situação.
O facto das pessoas poderem exibir-se, comunicarem e procurarem um parceiro sem terem que «dar a cara» de uma forma física e presencial, faz com que haja uma certa descontração por parte dos utilizadores.
Este facto acontece um pouco à semelhança com o que se passa, por exemplo, no caso das sexshops online, em Portugal. Estas lojas também têm uma procura muito superior às lojas físicas do mesmo segmento de mercado.
Isto porque, à semelhança do que acontece com as redes sociais ou com as aplicações de encontros, as pessoas podem tomar a iniciativa sem ter de serem confrontadas pessoalmente.
As aplicações de encontros entre pessoas têm uma dinâmica bastante simples. O utilizador manifesta a sua opinião sobre outros utilizadores (se gosta, ou não, do que vê no perfil), na expectativa de que a sua opinião coincida com a de outros utilizadores, nomeadamente, dos que são do seu interesse.
Uma das aplicações deste género mais conhecidas, e das que tem mais utilizadores, é o famoso Tinder. Em 2014, esta aplicação contava com cerca de 1000 milhões de swipes (ação de gostar ou rejeitar outro utilizador) por dia. Já o Bumble, outra aplicação do mesmo género, com cerca de 26 milhões de utilizadores, afirmam ser responsáveis por 20 mil casamentos, num período de quatro anos.
Nos Estados Unidos da América, o conhecido Financial Times, dava conta de que, em 2019, 75% dos casais heterossexuais conheceram-se através deste tipo de aplicações. Estes números revelam bem o impacto que estas aplicações têm, bem como o espaço que ocupam no modo como as pessoas se relacionam, atualmente, um pouco por todo o mundo.
A importância da consciência e moderação ao usar aplicações de encontros
Estas aplicações podem revelar-se bastante úteis para os seus utilizadores na hora de procurar um parceiro, mas podem trazer também desvantagens já que, de uma forma geral, estas afetam como as pessoas se relacionam em sociedade.
Outra desvantagem é o facto de o utilizador não ter a certeza da identidade da pessoa com quem interage, até ao momento do encontro pessoalmente. Isto leva a que, qualquer pessoa mal intencionada possa tentar tirar partido do quadro emocional em que a outra pessoa se encontra.
As relações que nascem neste tipo de ambiente digital não devem ser menosprezadas relativamente às tradicionais, no entanto, não podemos olvidar que este tipo de aplicações tornam as relações humanas mais levianas e descartáveis, sendo este o cenário ideal para comportamentos extremos de cariz preconceituoso como, por exemplo, manifestações racistas ou homofóbicas.
Concluindo
Como em tudo, a postura mais sensata que cada sociedade deve assumir é a de que estas aplicações devem ser utilizadas com consciência, moderação e de uma forma equilibrada.
É uma ferramenta útil e é como tal que deverá ser encarada. Jamais estas aplicações devem substituir as relações pessoais presenciais.
Elas são uma ajuda importante para quem não consegue ou não tem muito jeito para dar o primeiro passo numa relação, para quem é demasiado tímido para se aproximar da pessoa desejada. Uma pessoa pode sempre mandar uma mensagem qualquer sem ter de encarar a outra.
No entanto, é preciso não esquecer que, em último caso, o objetivo final é ter uma relação, seja ela de que tipo for. E essa relação terá sempre de passar pelo contacto direto e pessoal entre duas pessoas.
//Flagra
Sê o(a) primeiro(a) a comentar