Realizador brasileiro Eduardo Coutinho morto à facada pelo filho

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O cineasta brasileiro Eduardo Coutinho foi assassinado pelo próprio filho, neste domingo, no seu apartamento na Zona Sul do Rio de Janeiro. O realizador tinha 80 anos e foi morto à facada por Daniel Coutinho, de 41 anos, que também atacou a mãe e que depois tentou suicidar-se.

A Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro já decretou a prisão preventiva do filho de Eduardo Coutinho que sofrerá de esquizofrenia.

Ele foi detido em flagrante delito e está neste momento hospitalizado, com dois ferimentos no abdómen, depois de ter tentado matar-se. A sua situação clínica é estável, segundo o boletim clínico divulgado pelo Hospital Miguel Couto e citado pela comunicação social brasileira.

Mulher de Eduardo Coutinho em estado grave

Em situação mais grave está a mãe de Daniel Coutinho, Maria das Dores Oliveira, de 62 anos, também agredida a facadas. A agora viúva de Eduardo Coutinho tem dois golpes de faca ao nível dos seios e três no abdómen que lhe provocaram lesões no fígado, segundo o boletim clínico.

A mulher só não morreu também no ataque porque conseguiu fugir para a casa de banho, onde se escondeu, de acordo com os relatos das autoridades que acorreram ao local.

Depois dos ataques, e de se ter ferido a si próprio, Daniel Coutinho foi bater à porta dos vizinhos, ensanguentado e desorientado, com um discurso desconexo, de acordo com os relatos destes. O alerta às autoridades terá sido dado precisamente por um vizinho. No meio das agressões Eduardo Coutinho terá conseguido chegar ao intercomunicador e avisar um dos porteiros do edifício, mas quando este se acercou do apartamento o filho do realizador tê-lo-á convencido de que tudo se encontrava bem.

Eduardo Coutinho “era único e insubstituível”

O corpo de Eduardo Coutinho foi sepultado nesta segunda-feira à tarde no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Parentes, amigos e colegas de profissão despediram-se do cineasta com uma salva de palmas que durou quase cinco minutos.

O realizador era considerado um dos maiores documentaristas do Brasil e entre os seus filmes mais conceituados estão “Cabra Marcado para Morrer”, “Edifício Master”, “Jogo de Cena” e “Babilónia 2000”. Foi ainda o autor do argumento do bem sucedido “Dona Flor e seus dois maridos”.

Muitas figuras públicas brasileiras, de todos os sectores, se manifestaram no adeus a Eduardo Coutinho, entre as quais o poeta Ferreira Gullar, amigo do realizador há 50 anos. “Foi brutal“, assume Ferreira Gullar que tem dois filhos que também já tiveram problemas de esquizofrenia.

A cantora Adriana Calcanhotto, que se diz “” do cineasta, nota que Eduardo Coutinho “era uma cabeça que pensava e fazia o cinema de um jeito único“.

Coutinho era único e insubstituível“, considera o realizador Walter Salles, notando que ele era “o maior cineasta brasileiro em actividade“.

Pode ver de seguida o documentário de Eduardo Coutinho “Babilônia 2000” que foi filmado no último dia do ano 1999 no Morro da Babilónia, no Rio de Janeiro, especificamente nas favelas Chapéu Mangueira e Babilónia, que têm vista sobre Copacabana. O filme acompanha os preparativos para a noite de passagem de ano.

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