Tudo o que já se sabe sobre a morte de Valentina (e o que falta perceber)

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O bairro do Capitão, em Atouguia da Baleia, Peniche, continua em choque com a descoberta trágica do corpo de Valentina, a menina de 9 anos que tinha sido dada como desaparecida. O pai e a madrasta estão detidos por suspeitas de homicídio.

Neste momento, é certo que foi o pai de Valentina que a matou. O próprio confessou o crime, embora alegando que foi uma morte acidental. A actual mulher dele, Márcia, de 38 anos e madrasta de Valentina, também é suspeita, embora não seja claro o seu papel no crime.

Terá sido o filho mais velho de Márcia, de 11 ou 12 anos, fruto de um anterior casamento, que terá dado às autoridades uma pista preciosa, sem saber que o estaria a fazer. Ele terá dito que viu Valentina, pela última vez, à noite, quando esta entrou na casa de banho com a mãe dele e com Sandro e estes o mandaram ir dormir.

Um dado que acabou por levar os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) a pressionarem Sandro. Ele terá cedido, confessando onde estava o corpo da menina, mas alegando que a criança morreu num acidente na banheira.

O homem de 32 anos terá dito que a criança sofreu “um espasmo na banheira”, alegando que Valentina era problemática e que gritava muito e que morreu devido a esse tal acidente na banheira.

Já a Polícia Judiciária apontará para a possibilidade de um estrangulamento, acreditando que a criança terá sido asfixiada pelo próprio pai.

Só a autópsia é que vai desfazer as dúvidas quanto às causas da morte de Valentina.

Pai de Valentina fala em boatos de abusos sexuais

Sandro Bernardo terá dito às autoridades que o acidente com a menina, na banheira, terá acontecido numa altura em que a confrontava com alegados boatos que correriam na localidade de que estaria a ser vítima de abusos sexuais.

O pai diz que tentou pressionar a filha a falar do assunto. Terá sido, nesse momento, que a menina teve o tal ataque e convulsões.

Márcia alega que não estava na casa de banho nesse momento. E Sandro confirma, ilibando a mulher da morte e da ocultação do cadáver. Ele diz que ela também não participou no acto de esconder o corpo na mata.

Sandro terá transportado o cadáver da filha no seu carro até à serra, escondendo-o com ramos de árvores e giestas que se encontravam no local.

O corpo da criança só foi encontrado ao quarto dia de buscas, depois de centenas de pessoas se terem envolvido na procura, desde polícias e bombeiros até populares. Sandro e Márcia nunca participaram nas buscas.

Mas o pai da menina foi, por diversas vezes, ao posto da GNR e ao quartel dos bombeiros situados próximos da sua casa para obter informações sobre as buscas.

Na quinta-feira passada, dia 7 de Maio, Sandro tinha dado a filha como desaparecida às autoridades, alegando que, de manhã, não estava no seu quarto, quando acordou. Ainda disse que chegou a ir aconchegar a miúda à cama, por volta da uma da manhã.

Nos dias em que se procurou a criança que estaria desaparecida, Sandro foi descrito pelos que o conheciam como muito calmo e chegou a ser visto no café local, a beber umas cervejas.

Planeava emigrar para a Bélgica

Filha de pais divorciados, Valentina morava com a mãe no Bombarral, mas estaria a passar uma temporada na casa do pai e da madrasta, onde viviam também os dois meios-irmãos, de 4 anos e de poucos meses, além do filho adolescente de Márcia de um relacionamento anterior.

A menina terá ido para casa do pai para poder acompanhar melhor as aulas online, no âmbito do ensino à distância implementado pelo Ministério da Educação devido à pandemia de covid-19.

Valentina deveria voltar para casa da mãe na próxima semana, até porque o pai estaria a pensar em emigrar, em breve para a Bélgica, onde terá arranjado emprego na construção civil. Sandro deveria mudar-se para este país com a mulher e com os filhos mais novos.

O Correio da Manhã apurou, entretanto, que Sandro e Márcia consumiam drogas de forma ocasional, o que pode ser relevante ou não para o caso.

Sandro Bernardo e Márcia vão ser ouvidos por um juiz, nesta terça-feira, no tribunal de Leiria. Estão indiciados pela prática de homicídio e ocultação de cadáver e arriscam ficar em prisão preventiva.

Mãe de Valentina “está um trapo”

Uma prima da mãe da criança relata à CMTV que ela “está um trapo” e que soube pela televisão que a filha estava morta.

Já um tio de Valentina, irmão da mãe da criança, refere que “está resguardada” e “a passar mal”. “Foi um choque muito grande para a família toda”, diz.

Na última publicação no seu perfil do Facebook, a mãe de Valentina agradece simplesmente a todos aqueles que ajudaram nas buscas pela menina.

Em 2018, Valentina já tinha sido dada como desaparecida, mas apenas por algumas horas. Acabou por ser encontrada na rua por um agente da polícia. Na altura, a família chegou a ser seguida pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, mas o caso foi arquivado, considerando-se que não havia perigo para a criança, nem maus tratos envolvidos.

//SV

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